24.9.11

Dançando com as sombras nas paredes

Eu devia ter uns 12 anos. Desde cedo sofro de crises de insônia, alternadas com dias em que, se deixar, passo de 48h seguidas na cama. Essa foi uma das crises de insônia. Rolava pra lá e pra cá e não conseguia afundar no sono. Desisti de dormir e liguei o rádio. A música me embalava, me animava. Comecei a dançar sem sequer levantar da cama. O sono, já perdido havia horas, resolveu se mandar de uma vez. A aula do dia seguinte que se fodesse: até as duas horas da manhã, ouvi música atrás de música, clássico atrás de clássico. Nunca mais parei.

Esse tipo de reminiscência me pegou completamente desprevenida enquanto, do alto de meu tédio insone noite dessas, me peguei ouvindo música baixinho, fones de ouvido bem atochados em meus canais auditivos, encolhida no cantinho da cama abraçada com um dos bichos de pelúcia. Eu cantarolava pra espantar a ansiedade, meros murmúrios, mas parecia que o sono é que se afastava de mim cada vez mais e mais rápido.

Música não me ajuda a dormir. Nunca ajudou. Dormir é deixar de existir por algumas horas que sejam, o suficiente pra recuperar o ânimo pra encarar o sofrimento de trabalhar de sol a sol. Dormir é letargia, é suspensão temporária.

Música me ajuda a viver.

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