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19.7.14

Nota de Falecimento

Acho que o amor morreu
Sufocado e sepultado nos escombros de mim
E não deu nem tempo de dizer adeus...

Essa gota d'água que rolou pelo meu rosto?
Isso não é uma lágrima;
É que choveu dentro de mim
E de vez em quando eu transbordo.

4.3.14

Guerra fria

Teus olhos em meus olhos - prenúncio de tragédia. Sob as estrelas, desnudamos nossas almas e demos importância a coisas desimportantes, entre sussurros nossos e estrondos a nosso redor. Te perguntei sobre teus gostos enquanto me perguntava que gosto teria tua língua. Quis saber teus sentimentos enquanto imaginava como seria sentir teus lábios pressionados contra os meus. Perguntei se sabia dançar, desejando, na verdade, que nossos corpos se movessem juntos ao som das batidas do teu coração, da maneira como são percebidas pelo meu ouvido pressionado contra teu peito nu e suado. O vento soprava forte e cheirava a chuva e sal, e tua pele fria e úmida roçava preguiçosamente na minha quando nos abraçávamos. Abri os olhos completamente incensada de você e o sol que vinha da janela me fez desejar trancar as portas dos sonhos para nunca mais te deixar entrar e me bagunçar.

25.1.12

Por todos os caminhos

E aí eu olho ao meu redor e vejo tanta, mas tanta gente escrevendo sobre problemas e esperanças e lutas e afincos e me identifico com cada palavra, cada vírgula. É um sentimento esquisito esse de se sentir capaz de entender todas as dores do mundo. As músicas dos outros cantam meus sofrimentos; os textos e filmes alheios contam pra mim direitinho tudo o que espero do meu futuro, tudo o que eu já sei que vai acontecer, e que sei porque sinto nos meus ossos que estou fadada a quebrar a cara e continuar tentando incessantemente até que um dia dê certo. Não gosto disso. Não de saber até onde posso ir, essa parte é tranquila. Mas não gosto de ver minha história escrita em palavras alheias, nas paredes avulsas, tatuada em outras peles. Preciso parar de viver a vida que todo mundo já viveu e encontrar meu próprio caminho. Cada dia mais me convenço de que tá passando da hora de jogar a mochila nas costas de novo e, mais uma vez, seguir pela estrada menos viajada. Até o dia em que chegar a um precipício.

17.1.12

Abraço

Abre os braços
Me deixa entrar

Fecha a porta
Aqui dentro
Faz frio
Faz falta

Falta tempo
Sobra vento
O espaço
Do abraço
Já esfriou

9.1.12

Fênix

Chegou a um ponto tão insustentável de incêndio que eu vou precisar matar você em mim pra poder, enfim, renascer. Ainda que toda suja de cinzas e borras e fumaça e com pedaços chamuscados caindo pelo caminho.

29.11.11

Morte

O cadaver na beira da calçada olhou pra mim
Olhos baços, vendo o infinito

Ele parecia tão tranquilo
Tão dormindo
Encolhidinho
Escondidinho
Camuflado na parede cinza

Nunca mais vai voar
Mas, pelo menos,
Ele agora está livre.

9.9.11

Desapego

E é um círculo sem fim. Acaba, parte pra outra, dá errado, dois passos pra trás e segue em frente. Até o  dia em que não me recuperar da queda. Até o dia  em que não me sobrar outra opção que não o vazio do desespero, de vegetar observando os buracos e imperfeições do teto me perguntando o que fiz da minha vida.

11.1.11

Realidade 2.0

Não, aqui não. Pare de dizer essas coisas. Eu fico pensando nisso tudo e... olha aí! Viu o que aconteceu? Vê como eu fico? E ainda leva horas até eu poder me acalmar. É tudo culpa sua. Não, pare de me mandar mensagens. Estou no ônibus. Estou desconfortável. Estou doida pra chegar em casa logo e tirar essas roupas molhadas. Pare de brincar comigo desse jeito. Assim eu não vou aguentar tanto tempo. E olha que esse tempo já parece que vai demorar uma vida pra passar.

3.1.11

1D6

O lado iluminado te atraiu. O lado sombrio não te afastou. O lado quente te acolheu. O lado perverso te entreteve. O lado lúdico te assemelhou.

Qual o lado de mim que preciso usar para te trazer pro meu lado?

3.12.10

Mãos

Suas mãos no meu rosto. Minhas mãos no seu pescoço. Você em mim: não é paz, é fúria. As garras dóceis cortam o silêncio, e me ouço pedindo debilmente que pare. Por dentro, grito para que não, continue, não me deixa assim. Isso não é apego - é desejo, é jogo. E nesse jogo eu só fico à espera do game over.

25.11.10

Palavras

Todas as palavras que você me deu eu guardei. Todas elas, sem dó, mesmo as que mais doeram. E elas doeram, por mais que eu mantivesse firmemente um sorriso nos lábios e os olhos nos seus. Eu sorri, te olhei nos olhos e guardei tudo. Não por me importar com o que você tinha a dizer - e, preciso admitir, ainda que a contragosto: me importo -, mas porque eu sabia que um dia eu poderia usá-las a meu favor. Mesmo que leve anos.

14.9.10

Rapidinha 2

Era bem tarde quando abriu a porta. Exatamente quase tarde demais, nem um minuto a menos, a porta escancarou-se e deixou toda aquela torrente de assuntos mal resolvidos e mal enterrados invadir. Um vendaval entrou junto com a poeira de lembranças e carinhos há muito guardados, bagunçou todo o tênue equilíbrio que reinava e me soterrou debaixo de uma pilha de sentimentos que, a essa altura, já rescendiam a mofo e coisa velha. Para onde quer que eu olhasse, só aquele mar de coisas que tentei esconder a todo custo, que neguei até não ter mais forças pra negar. Agora, estou cansada demais pra lutar contra essa maré que teima em me arrastar, e deixo que essas ondas me levem até onde quiserem.

24.8.10

Rapidinha

Se eu disser que te quero mesmo com todos os seus defeitos de fábrica e avarias circunstanciais, com validade perto de vencer e a embalagem já meio desgastada, independente do estado de conservação e sem garantia nenhuma... você vai me dar a chance de tentar te fazer feliz daquele jeito efêmero que só a gente sabe fazer?