31.12.10

Retrospectiva 2010


O ano começou no mar, molhando minhas calças jeans e meus tênis xadrezes. Tenho a impressão de que o vi se aproximando de levinho, mas pode ter sido só porque eu estava podre de bêbada. E foi assim que eu entrei 2010: As calças novas e limpas encharcadas e salgadas, a lentilha de Gabi que não passava de uma mera lembrança, apoiando nos ombros do Cris pra conseguir andar, de tão bêbada que estava. Um ano que se iniciou desse jeito não pode dar certo. Ou será que pode?

Pois deu certo. E, mesmo bêbada e com as calças em petição de miséria, liguei pros meus pais, com quem não falava direito há anos. E fiz as pazes com tantas outras pessoas queridas que mal consigo contar. E essa foi a tônica que definiu meu ano: muitos encontros e reencontros felizes.

Conheci muita gente boa, tanto pessoalmente quanto virtualmente. Me aproximei mais de pessoas que já eram próximas, me diverti, ri horrores, chorei pouco, compartilhei tudo e, no fim das contas, o saldo é mais do que positivo.

Foram 365 dias de boas histórias, de piadas, de lendas. Madrugadas em claro estudando. Madrugadas em claro preparando aula. Mas, mais importantes do que essas: madrugadas em claro com os amigos, seja dançando - e perdendo a dignidade -, seja bebendo - e perdendo a dignidade -, seja conversando e acalentando o coração. Nenhuma noite perdida, afinal.

Resolução pro ano novo? Ser feliz. Ou melhor, continuar sendo. E continuar correndo atrás dos meus sonhos. Porque eu sei bem onde quero chegar, mas o caminho eu vou decidindo na doida, e olha, o que eu puder fazer para que seja o mais divertido possível, PODE TER CERTEZA QUE EU VOU FAZER.

Quero terminar esse texto com agradecimentos e mensagens especiais. Porque, se meu 2010 foi um sucesso, a culpa é integralmente de vocês! Lá vai:

Pai e Analu - vocês são os melhores pais do mundo, mesmo. Pena que só fui perceber isso esse ano.
Cris - pra sempre, tá?
Ana - cuida bem dos meus três amores. E obrigada pela paciência.
Pri - vê se para de sumir, sua linda!
Nams e Anine - vamos dar aloca muitas vezes na faculdade esse ano, né, que mais um pouco e eu não vou estar mais com vocês.
Taz - brigamos, fizemos as pazes, nos afastamos de novo, e agora, o "pra sempre" também vale pra você, viu?
Dude - e as reséééééénhas!
Ty - ou melhor, Dean!
K - só uma palavra: CERVEJA!
Chico - que é um porre, mas a gente ama ele mesmo assim.
Fe - qualquer coisa com você é divertida, até escrever poesia concreta. Vamos brincar de nunca mais perder contato de novo?
Dea S - porque os ciggy-breaks nunca mais foram os mesmos.
Sue - porque as meninas super-poderosas precisavam de uma Lindinha!
Ham - mas só se parar com os comentários que me deixam TERRIVELMENTE CONSTRANGIDA.
Nique - e seus conselhos super cabíveis, sejam no âmbito estético, sejam no âmbito sentimental.
Kee - quando você aprender a parar de deixar pra me chamar pra fazer as coisas em cima da hora, você vai virar o amigo perfeito, haha. Vou sentir saudades de almoçar com você em Bio. Obrigada por ter mudado minha vida esse ano, mesmo que você nem se dê conta disso <3
Mine - que até de mau humor no twitter é linda.
Minmins - INDIE FOFA! INDIE FOFA! <3
Sly - o melhor irmão que uma pessoa da esbórnia podia ter.
Dea D - queria MUITO ter te encontrado em SP. Muito MESMO.
SN, Blao, Paulinha, Shay, Ed, Ted, Dan, Arthur, Pet, Limão - Pra vocês, minha mensagem de feliz ano novo vai ficar pra abril, tá? <3
Kazu - CADÊ ESSE LÍNGUA DE PRATA???
Milk - amor de mãe, né?
9, Bru, This, Thiz, Thin, Cercal, Lipe, Caioc, Caion, Vic, Pi, Piet, Fran, Gi, Guils, Di, Luc, Lety, Mandy, Ohki, Carolls, Rafa, Drei, Becca, Thad  - vocês foram as estréias mais aclamadas do meu ano. Obrigada por me aceitarem no grupo, obrigada por fazerem parte da minha vida (e sim, o momento emo de fim de ano continua. Deve durar até amanhã, mais ou menos, ou até eu ficar bêbada). Se eu for entrar em detalhes individualmente, vou ficar até ano que vem (rs) escrevendo, e pretendo que esse post vá ao ar antes da meia-noite. Mas cada um de vocês tem um lugarzinho especial aqui, ó <3 E, se eu esqueci de alguém, MIL PERDÕES. É muita gente pra pouco tempo, haha <3

E, a uma pessoa especial (você sabe que é você): cuida bem do que eu te dei, tá? Se for pra me devolver algum dia, faça o seu melhor pra me devolver inteiro. Eu também estarei cuidando do que você me deu com todo o carinho (L)

E aí, 2010? Já deu, né? Faz sua dancinha apoteótica aí enquanto dá tempo, e deixa logo 2011 e todas essas expectativas boas chegarem!

30.12.10

Wanderlust

Esta cidade ficou pequena demais para mim. Este estado ficou pequeno demais para mim. Este país. O próprio mundo, talvez. Abri tanto minha mente que a própria existência é pouco para abarcar tudo o que me define. Quero viajar, quero conhecer outros lugares, outros povos, outras verdades. Não quis pegar um avião simplesmente porque quero, enfim, experimentar na prática toda essa liberdade que eu sei que existe dentro de mim. Hoje, saio daqui Dianna; amanhã, nem sei. Amanhã, será outro lugar diferente, serei outra eu que nunca mais será a mesma.

Quero experimentar ao menos uma vez antes de morrer a sensação do vento selvagem ricocheteando meus cabelos. Voar, com minhas próprias asas, todo o trajeto que até hoje só pude testar pela experiência dos outros. Ir além.

Sinto falta de caminhar sozinha à noite e descobrir novos caminhos. Sinto falta de sentir a chuva fria na minha pele quente enquanto vago a esmo. Sinto falta de cheiros novos. Sinto falta de lugares que nunca conheci. Meu lugar, definitivamente, não é aqui. Estou decidida. Está na hora de partir.

Enfiei os farrapos que restavam da minha vida em uma mochila surrada e joguei nas costas. Não aguento mais ficar neste lugar. Não aguento mais ser eu o tempo inteiro. Não aguento mais manter minhas máscaras de segurança que restaram, depois de tanto tempo num canto só. Mochila nas costas, calcei minhas botas e subi na moto, quiçá para nunca mais voltar.

29.12.10

Plato

Estar só tem suas vantagens. Consigo pensar. Consigo, inclusive, não pensar e não me sentir na obrigação de fazê-lo. Paz. Enfim, paz, depois de tantos dias de correria e da adorável, porém por vezes sufocante, presença constante dos amigos. 

Me deito novamente no chão, um cigarro aceso em um dos cantos da boca e os cabelos soltos esparramados como chamas a lamber o piso azulejado. O chão frio sob minhas costas tem um quê de revigorante. A música alta ecoa pelas paredes nuas. É tudo muito branco, de onde estou deitada. Só comigo mesma, danço com o vazio, na esperança de que isso acalme a criança mimada e teimosa que cresce dentro de meu peito. Danço com minha sombra refletida na parede, e finjo que não preciso de mais ninguém. Estou feliz, estou sinceramente feliz. Mas falta algo.

Falta você.

27.12.10

Ruptura

Nos seus braços, me senti voando. Na cama, me senti poderosa, linda, senhora de mim e da situação. Em casa, depois, tomei a decisão: nunca mais.

E aí você não me liga, não me procura, e eu digo para mim mesma, sem problemas. Tenho outros, outros tantos como você, que de mim só querem aquilo que em geral não é tão difícil de conseguir. Não preciso de suas palavras ousadas, não preciso de seu toque apressado, não preciso de seu desejo unilateral que me culpa por suas falhas. Não preciso, e nem quero, de suas taras obcenas e hábitos nocivos. Passo, pela primeira vez desde o começo dessa história, dois dias inteiros sem pensar em você com carinho, sem fantasiar com você na minha cama.

Um café na minha frente e a companhia das pessoas que amo e que me amam era tudo o que eu precisava para fechar meu final de semana da forma mais perfeita possível. Eu não precisava de mais. Eu não queria mais, e ainda assim, o telefone tocou. Reconheci pelo toque, só podia ser você. Atendi sem muita pressa, sabendo que, o que quer que você quisesse, não era hoje que ia conseguir. Esperei sem muita confiança um feliz natal, um como vai, um que saudade, mas em troca só recebi o nada. A frieza transparecia no convite a uma noite quente. Tá aonde? Vamos pra um motel? Não, querido. Estou com meus amigos. Hoje foi um dia difícil e é com eles que quero estar. Tá bom, então. Depois a gente se fala. Tchau. Desligo o telefone com um meio sorriso no canto dos lábios. Era por esse cara que eu estava disposta a condenar minha alma ao inferno do julgamento alheio. Foi por esse cara que eu me prontifiquei a arriscar tantas e tantas coisas. Esse cara, que não vale um décimo do que eu valho.

Guardei o telefone bem fundo na bolsa e dei aquela sacudida na cabeça para me livrar de quaisquer idéias erradas que eu pudesse ter. Tomei o último gole do meu café, paguei a conta e fui para a casa do outro, disposta a passar a noite inteira fazendo o que eu não quis fazer com você: ser feliz.

26.12.10

A donzela e o menestrel

Abro os olhos e meu primeiro pensamento é seu. Parece que até acordar eu vivia num mundo de brumas onde meu destino era correr em círculos, atrás de algo que nunca ia me satisfazer. Abri os olhos, e corri para o celular, para o computador, para qualquer meio de comunicação que me pudesse trazer notícias suas. Em vão, claro, porque você não tem meu número e eu sei que você não vai chegar perto de um computador tão cedo.

Você tem outras prioridades, e eu, teoricamente, também. Mas me deixa curtir essa idéia só mais um pouquinho. Me deixa lembrar como é estar apaixonada e ser correspondida. Me deixa achar que essa história toda vai dar certo em algum momento, que a distância não é um empecilho e que eu não devia me preocupar com o fato de você ter outra pessoa com quem se preocupar. Me deixa gostar de você contra a opinião de todos os nossos amigos em comum. Me deixa, enfim, viver nesse mundo de fantasia e fantasias que criamos e onde vivemos juntos, naquilo que você chama de casamento e eu de pecado, confiando um ao outro nossas frustrações e erros do passado e nossas expectativas e esperanças pro futuro. Me deixa ser sua, porque é assim, nessa brincadeira de faz-de-conta, que eu cada vez mais me perco pra você e me torno cada vez mais incapaz de funcionar se não for sob suas vistas.

Eu abri os olhos e você não estava em lugar nenhum. Quase me desesperei, por meio segundo. Coloquei nossa música e me lembrei que você está onde sempre deveria ter estado: dentro de mim.