20.7.11

Era uma vez

Não é seu amor que eu quero. Não faço questão de sua companhia, ou de longas noites de conversas cheias de significado ou poesia. Não quero, da noite pro dia, me tornar sua amiga, companheira, confidente. Não quero ser sua namorada, ou qualquer coisa do tipo. Não espero que você perdoe meus pecados, suporte minhas infidelidades, ature minhas lamúrias. Não sou uma gata borralheira esperando pelo príncipe encantado com o sapatinho de cristal. Não sou uma princesa aprisionada esperando que me salvem da bruxa, do dragão ou da madrasta malvada, e nem adianta esperar que eu não vou jogar minhas tranças pra você subir e me resgatar.

O que eu quero é físico. Não me importo se você vai sair da minha cama e pular na de outra qualquer. Eu faria o mesmo, se me desse na telha. Não me importo se você não vai ficar para dormir de conchinha e me cobrir de beijos ao amanhecer. O que eu quero é você dentro de mim, ainda que por apenas alguns minutos, não mais que o necessário. O que eu quero é o calor do seu beijo, o desespero no seu toque, a irregularidade nas nossas respirações. Quero sentir o sangue correndo e queimando em minhas veias, o peso do seu corpo contra o meu, as roupas se atirando pelos cantos, a pele se rasgando sob as unhas. Quero gritar. Mais ainda: quero ouvir seus gritos. Quero barulho, quero suor, quero tudo o que seus olhos me prometeram.


Todo o resto é ilusão de criança encantada, sonho de carochinha, e eu posso passar sem. Não quero um final de felizes para sempre. Termine seu serviço, e me deixe exausta na cama, Bela Adormecida à espera do próximo cavaleiro, e talvez nos encontremos num próximo conto de fadas. Ou não.

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