27.9.12

on growing up


get a diploma
land a safe job
have a home
nurture a loving family

find love, they say. love is what makes the world go round, they say.

pay your bills
be responsible for your choices
try to save the world

you are special, they say. someday you'll be a star, they say.

make friends
solve problems
find ways

you gotta look out for yourself, they say. you'll be eaten out there if you don't, they say.

pretend. pretend with all your heart,
with all your might.
keep that fake smile upon your lips until your cheeks are numb.

the world is out to get you if you don't, they say.

who the fuck are they?
how come they know so much about you?

where are they when you need them,
in the dead of the night when your heart is bleeding
and you can't find your way out of this mess,
this beautifully crafted cage you made out of their dreams and plans for you,
while your own dreams are crushing you so hard you can hardly breathe?

where the fuck are they when you go through hell
lost in between the you they expect you to be
and the you you actually want to be,
crying alone in the solitude of a bleak room
counting down the days you still have left to live?

smile, be polite
remember to say your prayers before you sleep
and be thankful for being allowed to be part of this
even if "this" is exactly what's parting you from yourself.

in the end, we are nothing but machines
rusting away for want of oil and purpose
god's little playthings

for as long as our heart beats
until this cancer eats away our freedom,

until life itself breaks our will.

22.5.12

Os primeiros versos para o último amor


Lágrimas de chumbo castigam o asfalto lá fora,
e é tudo cinza; cinza-concreto, cinza-tempestade,
cinzas do calor que a tudo consumiu até que só restaram vestígios,
e faz frio.
Faz um frio miserável
(ainda que apenas pros padrões locais)
e meus ossos congelam;
meus ossos e todos os líquidos do meu corpo,
tudo viscoso, tudo pétreo, tudo imóvel.
Me sinto pegajosa, entupida, paralisada, sei lá.
Me sinto fria.

Me sinto fria, e solitária.
Essa cama minúscula e dura, assim, tão de repente,
parece grande demais para conter apenas os meus sonhos.
Falta uma peça nesse quebra-cabeças,
e é como se eu tivesse esquecido como dormir
sem seu corpo encaixado no meu
ou sua respiração bagunçado o ritmo da minha.
Falta sua risada barulhenta ecoando pelas paredes amareladas,
faltam seus cabelos revoltos espalhados pelo meu travesseiro.

Não sei mais, e nem sei se quero reaprender,
a dormir sem brigar pelo lençol
ou sem entrelaçar pernas e braços,
provocações inocentes sem pudor algum.
Uma vontade absurda e irrefreável
de acordar pra vê-lo sorrir
ou zelar por seu sono até que o meu retorne.

As gotas pesadas tamborilando na janela
e eu aqui embrulhada nesse cobertor surrado
(mero sucedâneo para suprir sua ausência)
brincando de contar os dias, horas, minutos,
segundos, até,
para a próxima noite em seus braços.

16.3.12

Selvagem na caixa de vidro

Não foi sempre que fui assim. Nem sempre fui este meio-ser de cores emprestadas e olhos baços de quem já viu o mundo de todos os ângulos e a quem nada mais choca ou surpreende. Nem sempre encarei quedas e fraturas expostas e feridas sangue podridão com a naturalidade de quem mergulha numa piscina num dia de sol escaldante. Nem sempre, eu. Esse eu é coisa nova, fruto da modernidade, vítima da sociedade, produto do meio, sei lá, chamem como quiserem, mas essa porra dessa criatura que saltita e grita e brinca e ostenta uma felicidade quase real não sou eu, nunca fui, e nem me perguntem porque passei a ser. É um daqueles mistérios que nem Freud, nem a bíblia e muito menos Walter Mercado explicam.

Eu sei lá, na real. Eu olho pra trás e parece que não é comigo. Não era eu. É uma coisa engraçada, essa dualidade toda. Eu sei que essa eu que escreve não é a mesma que escrevia há um ano. Há dois anos, sei lá. Bota mais tempo nisso aí. Faz tempo que eu não sou eu. Tenho sérios problemas identitários. Eu olho pras partes mais tensas do meu passado e... com quem foi mesmo que isso aconteceu? Parece que tem uma parede entre eu e a antiga eu. Uma parede de vidro, daqueles vidros blindados e foscos de um lado, tipo de interrogatório, e eu sou da lei e tô vendo tudinho acontecendo mas não posso me meter e posso inclusive fingir que nem é comigo.

Só que eu cansei de fingir que nem é comigo, porque eu cansei de viver como se estivesse constantemente sob efeito de anestesia. Cansei de observar tudo com a fria indiferença de quem se sabe distanciado. Quero o ardor da experiência, quero a dor da solidão, quero a pontada amarga da flecha dilacerando novamente minha carne e vertendo em sangue as memórias da minha alma.

Sem o pecado, sem a paixão, sem o oculto: sem infelicidade. E assim sigo clamando para mim meu direito inalienável de ser infeliz. Só assim vale a pena viver.

2.3.12

Random rant

Eu já quis ser muita coisa na minha vida.

Quando eu era bem, bem guria, eu queria ser cantora. Meu sonho era cantar pras multidões e ver pessoas cantando junto comigo músicas criadas por mim. Filha de família pé-no-chão que sou, esse sonho logo foi devidamente arrancado, amassado e repudiado.

Mais tarde, pensei em ser médica. Cuidar das pessoas parecia uma boa ideia, sempre gostei de ver todo mundo bem. O problema é que passo mal só de ver sangue, e não gosto nem de cortar carne crua. A ideia foi pra gaveta de sonhos abandonados e nunca mais voltou.

Outros sonhos e planos e vontades passaram pela minha vida. Jornalista, psicóloga, escritora (bom, nesse continuo insistindo), advogada... Até que enfim eu simplesmente aceitei que não dá pra fugir da vocação nem das responsabilidades, e fui ser professora.

Enfim, adulta. Os planos para o futuro mudaram. Agora, que eu teoricamente já tinha me tornado o que eu queria ser, outras prioridades surgiram: eu queria ser uma boa profissional, uma boa educadora, uma boa estudante na universidade, uma boa dona de casa no meu próprio lar. Uma boa namorada pra alguém. Uma amiga de confiança para quem se dispusesse a ficar por perto. Tudo isso (exceto talvez a parte do dona de casa) tenho conseguido cumprir com algum sucesso.

Mas algo que eu nunca pretendi ser na vida foi exemplo pra alguém.

Até porque, desde meus 14 anos, sempre disse que se eu poderia servir de exemplo pra algo, é de alguém que as pessoas nunca deveriam desejar ser.

Sei que tenho muitas qualidades, mas, a meu ver, nenhuma delas me qualifica pra servir de exemplo pro que quer que fosse.

E eis que me chega esse... não vou chamá-lo de menino porque isso poderia soar a menosprezo. Essa pessoa, essa pessoa linda, que entrou na minha vida de sopetão e, pouco a pouco, vai conquistando um espaço que eu não sabia que ainda existia dentro de mim, chega e me acusa de ser um exemplo pro que ele pretende ser na vida escolar/acadêmica.

Claro, já estou habituada a influenciar mentes jovens, dando aula como dou a crianças e pré-adolescentes. Como professora, faz parte das atribuições formar opiniões e cidadãos. O que eu não esperava era ouvir uma dessas de uma pessoa tão querida e tão profundamente entranhada na minha vida estritamente pessoal.

Como me sinto? Olha, nem me perguntem. É assustador como A PORRA você saber que gerou uma impressão tão forte na vida de alguém, especialmente sem ter intenção de tal coisa. Mas é bom. É bom saber que, por mais errada que eu seja, ainda posso fazer o bem de alguma forma para alguém (se é que isso é fazer o bem).

E é bom saber que essa pessoa gosta de mim a esse ponto também.

A essas alturas, nem sei mais o que era que eu pretendia com esse texto. Acho que só queria compartilhar com vocês minha felicidade. E é isso.

25.1.12

Por todos os caminhos

E aí eu olho ao meu redor e vejo tanta, mas tanta gente escrevendo sobre problemas e esperanças e lutas e afincos e me identifico com cada palavra, cada vírgula. É um sentimento esquisito esse de se sentir capaz de entender todas as dores do mundo. As músicas dos outros cantam meus sofrimentos; os textos e filmes alheios contam pra mim direitinho tudo o que espero do meu futuro, tudo o que eu já sei que vai acontecer, e que sei porque sinto nos meus ossos que estou fadada a quebrar a cara e continuar tentando incessantemente até que um dia dê certo. Não gosto disso. Não de saber até onde posso ir, essa parte é tranquila. Mas não gosto de ver minha história escrita em palavras alheias, nas paredes avulsas, tatuada em outras peles. Preciso parar de viver a vida que todo mundo já viveu e encontrar meu próprio caminho. Cada dia mais me convenço de que tá passando da hora de jogar a mochila nas costas de novo e, mais uma vez, seguir pela estrada menos viajada. Até o dia em que chegar a um precipício.