13.8.10

Painkiller days

Os dias em que ela não vem são os melhores. Sinto meu espírito mais leve, minha mente mais limpa. Eu consigo ficar entediada comigo mesma em paz. Eu não consigo fazer essas coisas quando ela está por aqui. Ela toma todo o meu tempo, e eu só consigo sofrer as consequências. Eu só penso nela, o tempo todo, quando ela está por perto. Ela não me deixa fazer mais nada.

Já me acostumei com a presença dela, mas sei que isso não é saudável. Sei que ela não me faz bem. Pior: sei perfeitamente bem que o fato de ela estar tão perto de mim o tempo todo é um sinal nítido de que tem algo de muito errado comigo. Mas não dá. Não consigo afastá-la de mim por tempo o suficiente para que eu aprenda a viver sem ela.

Já disse diversas vezes: vá embora! Suma da minha vida! Me deixe em paz! Você dói demais em mim! Mas não adianta. Ela insiste, ela me ama, ela não me deixa só um instante sequer.

Maldita dor de cabeça que já dura umas duas semanas. Alguém tem um analgésico?

Trial and error - a poem

I was feeling too alone for my own sake.

You said you missed me
And I started to dream again

Just a nostalgic spell
That's all you mean to me
And I keep telling myself it's more than that.

I feel sometimes
Like I need to be in love to feel alive
And you've became my escape route
Because you got so close to me.

I desire your body
I miss your touch upon my skin
And I know in my bones
We're gonna be together for a while
And be gone.

Because as much as I love you
I'm sure as hell it'll never be
As much as you love me
I know it isn't enough to keep us together
'Cause distance is a bitch
And we both are nothing but whores

Do you believe you could be mine and mine alone?
I don't think so.
Do you think I could be faithful to you?
We know it just won't happen.
It doesn't matter how many times I whisper in your ear
I love you so much it hurts
As soon as I come back, I'd still fuck someone else

As soon as I turn my back
You'll be sleeping in someone else's bed
And that's precisely what I love so much about you
The fact that you are even worthless than I am
We'd be great together
But none of us is crazy enough to step forward to it
Because we know it'd be too advanced for the world
So happy together, so far away, so in love, so many people in between.

I show my skin to you
You show me how you feel
You're the only one I feel so comfortable about
You have always been the only one
And yet it's fated to be a platonic thing
We hook up and fuck around
And it's perfect and we feel safe
And then I go away and you get sad
And the next day you're with someone else, and so am I.

Someday, we'll get married
And have kids
And live happily ever after
It sounds delightfully like a fairy tale
Only we will never marry each other
I'm never having your babies
You'll never be the one I'm celebrating anniversaries with
We'll always be just like we are
A sweet memory of an adventure we had
And you'll say, "We were young and reckless and didn't know what we were doing"

Despite all that
There's one thing I can't deny
I've always loved you
We are too perfect to each other to make this work
And you will always be the best sex I've ever had
And I'm too damn sorry
That the circumstances weren't different
We could have been together forever
Only forever doesn't exist.
So, keep this memory safe
Because, as long as you keep it
We'll always be together.

6.8.10

Última viagem - parte 2

Querem beber o que hoje? Ah, eu escolho? Vamos de vodka, então. Vodka é bebida de russo comunista malvado. Vamos ser russos comunistas malvados. Vamos, deixem de preguiça, movam suas bundas secas e acomodadas e vamos no mercado. Ah, ninguém quer ir? Dá o dinheiro que eu vou sozinha então. Tá frio, porra.

- Eu vou com você. Não posso deixar uma dama andar sozinha por aí a essa hora.

Olhei nos olhos dele e ele deu um sorriso. Pra todo mundo, aquilo deve ter parecido a finalização amistosa de uma piada cavalheiresca. A mim, me pareceu sentir uma pontada de malícia em seus olhos. Ontem à noite, no terraço... Aquilo não foi um sonho. Ainda que parecesse bom demais pra ser verdade.

Coletamos o dinheiro da vaquinha etílica e saímos para a fria noite de inverno curitibana, acendendo nossos cigarros tão logo chegamos à calçada. Não era a primeira vez que nosso vício em comum nos colocava a sós, mas era a primeira vez que nós dois estávamos abertamente satisfeitos com isso. Nos demos as mãos e fomos caminhando em direção ao mercado mais próximo, sem medo de sermos vistos.



A ideia de que estávamos fazendo algo de muito errado passou de leve na minha cabeça enquanto eu procurava uma posição mais confortável para me apoiar no poço de pedra. Seus braços me enlaçavam a cintura, nossos corpos moviam-se juntos e o pensamento foi embora junto com a brisa da noite. Nem nos ocorreu o perigo de dois jovens recém-adultos serem presos por fazer esse tipo de coisa em um terreno baldio, até que ouvimos a sirene de um carro de polícia passando perto. Arrumamos nossas roupas amassadas e corremos para o mercado. Comecei a me perguntar se notariam a nossa demora.



Duas horas depois, entramos no apartamento com uma garrafa de vodka e toda a cara de quem tem culpa no cartório possível. Senti no meu sangue que de hoje esse namoro não passava. E ainda haveria a pausa pro cigarro de mais tarde... Comecei a tremer por antecipação.

19.7.10

A última viagem

Desculpas esfarrapadas. Nada mais. Eu sabia que o irritaria, mas fui mesmo assim, porque a necessidade era mais forte. Fumar. Depois de tanto álcool, eu precisava desesperadamente de uma dose de nicotina direto nos pulmões. Um foi comigo, teoricamente por compartilhar o vício, e dois que não fumavam, teoricamente pra conversar. Claro que não era nada disso.

Nosso suposto vício falou mais alto, e os dois fumantes passivos foram embora, enquanto fumávamos nossos últimos cigarros. Que não existiam. Abrimos minha carteira, abrimos a carteira dele e o vazio nos olhava. Bêbados, rimos e nos abraçamos. Tudo o que não devíamos fazer.

Fora da proteção das escadas, a chuva e o vento congelavam, mas o encontro de nossas peles já nuas parecia queimar. Era a prévia do inferno para onde seríamos enviados por isso. Já não importava. Mandei um belo foda-se, porque minha alma já estava perdida na primeira vez em que nossas mãos se tocaram. E eu queria muito mais do que segurar sua mão. Eu o queria em todo o meu corpo. E meu desejo foi atendido.

Horas mais tarde, me enfiei debaixo das cobertas junto a meu noivo, numa esperança vã de manter dentro de mim o calor do encontro proibido. O frio da culpa tentava me dominar, mas já era tarde. Eu sabia que a única coisa errada que eu estava fazendo era me enganar.

Ele tentou me beijar. Recusei, dizendo que estava com gosto de cigarro na boca. Mas também, você fumou uma carteira inteira lá em cima! Foram três horas! Grunhi qualquer coisa em resposta e virei pro lado, fingindo não vê-lo ali. Eu mal podia esperar pelo rendez-vous do dia seguinte.

15.5.10

Pós-Cognição

Deitei na cama ansiando pelo abraço do mais promíscuo de meus amantes noturnos, mas ele relutava em me envolver. Disse-me que havia muito que conversarmos, e que a conversa seria difícil. Insisti, implorei, me revirei na cama amarrotando os lençóis, e, depois de muita luta, ele me aceitou, e, mais que me dizer, me mostrou. Eis aí o que vi.

O amor é um negócio complicado. A gente quer estar junto, se desespera, sofre, e no final... tudo é vazio, tudo é solidão. Almoçamos juntas porque eu insisti, mas eu não esperava pelo terceiro elemento na equação. E aí veio o choque. A raiva. A frustração. Me senti enganada e, sim, traída. Mais que como amante, como amiga. E o chá. Gelado que era, foi no colo. Se estivesse quente, teria sido contra o rosto, sem pudores ou arrependimentos.

Acordei arrependida de ter aceitado o abraço de Morfeu. Mandei uma mensagem, buscando um conforto, uma negação, mas só obtive uma certeza. Morfeu nunca me traiu.