21.8.11

Cinzas

Tudo cinza. Um cinza tão profundo que não sabia pra onde olhar. Não que fizesse alguma diferença. Pra onde quer que olhe, só encontro o vazio. Não estou só, mas é como se fosse; as pessoas, vazias. O mundo, vazio. Minha própria alma, vazia. As noites sempre iguais, a rotina tirando-me a paz de espírito, os dias sem graça e a vida, mais ainda. Bocas sem rostos, mãos sem afeto, labuta em modo automático, a falta de amor, a falta de sinceridade, os problemas insossos da vida, o acordar, o existir, tudo me deprime. Não entendo o porquê, não entendo como, mas sempre acabo sabotando tudo o que dá certo e vindo parar nessa inexistência de cor, nesse meio-termo entre ofuscar-se e cegar-se no qual nada faz muito sentido.

Eu queria que, uma vez na vida, algo fizesse sentido. Queria ser capaz de acordar e saudar o sol e me sentir bem pelo que estou fazendo, mas abro meus olhos e só enxergo chumbo. Nem o sorriso dele traz cor aos meus dias cinzentos. Talvez porque ele, também, seja uma pessoa cinza, não sei. Não me importo, não quero saber. Não vou mover uma palha, porque já conheço o fim da história: o nada. Que chegará mesmo com a inação. É a inação que escolho. E assim, não agindo, vou rumo ao nada do fim dos meus dias. Cinza, muito cinza. Até que eu mesma canse, me incinere e vire cinzas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Pq parar se vc pode mudar? ou prefere esperar pra achar quem te mude?

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