5.5.11

Coração na ponta da pena

Eu queria, uma vez na vida, viver um amor tão bonito quanto os tantos que inventei dentro de mim. E, de todos os romances que rabisquei a lápis nas margens da minha memória, o seu foi o mais floreado e rebuscado. Um amor assim, meio pós-moderno com pitadas ultrarromânticas, um cyberpunk ninado por menestréis. A mais bela e complexa trama de amor de todos os tempos, da qual nem eu nem você seríamos capazes de nos desemaranhar. Tinha todo o potencial pra virar best-seller, com adaptação cinematográfica recorde de bilheteria. Pena que o título foi cancelado e virou encalhe.

2 comentários:

B1ue disse...

E não sonhamos todos um amor regido a trompetes celestiais enquanto ouvimos a gaita de foles tossir na nossa cara nossa própria solidão. Em aguardo o manuscrito do roteiro para a felicidade, ainda que sujo, empoeirado e cheio de rabiscos, largado ao lado do coração sonhador e abandonado...
Dee, vc é uma artista!

Rafael Custodio disse...

Acontece quando uma pessoa aperta o play e assiste um filme sozinha. Acontece quando a catarse de uma trama tão melosa, passada na tela, entra nas artérias sem precisar de intermédio algum, e de repente está inundando o coração. Então o sentimento prolifera e tem como escape os suspiros de desilusão. Vários roteiros já devem ter sido escritos desde então. Vários jogados no lixo ou, mesmo bons, não se adaptam ao formato cinematográfico e ao dos best sellers. E viram filmes para que só a mente assista. E lamente o desperdício. Eu escrevi, você escreveu, e jogamos o roteiro fora. Acho que posso te entender.

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