6.1.11

Fogo e Água

Sou uma pessoa de dias cinzentos. De olhar a chuva pela janela ouvindo músicas tristes. Sou uma pessoa de abraços longos e olhares carregados de significado. De segurar a mão por horas a fio, sem dizer palavra. De preencher os silêncios com beijos longos e sem sentido, e depois sentar no canto da sala, encolhida, por medo de me movimentar demais e quebrar a barreira de sonho que se apossou da realidade depois do encontro dos lábios. Sou uma pessoa de chamas azuis, que parecem frias aos olhos mas queimam com o calor de mil estrelas ao toque.

Eu falo muito, é verdade, e falo mil coisas sem sentido e sem graça, e é difícil me fazer calar a boca. Mas não falo quando amo. Não falo quando estou perto de quem amo, porque tenho muito medo de abrir a boca e só conseguir falar do que sinto. Tenho medo de assustar, tenho medo de afastar, tenho medo do peso das palavras que podem sair de mim. Tenho medo de escorregar e cair no clichê e me tornar, da noite pro dia, desinteressante. Tenho medo, enfim, de perder.

E é assim que nos imagino: rindo como loucos falando besteira quando no momento de agir como amigos. E eu, silenciosa e com cara de deprimida, nos momentos em que te tenho só pra mim. E é aí que bate o medo de ser incompreendida. E é aí que bate o medo de ser fria demais. De te afastar por não saber demonstrar o que sinto, por não saber lidar com todo esse caos que só estar a sós com você me gera.

Não tem jeito. Não sei achar um ponto de equilíbrio.

Um comentário:

Rafael Ramos disse...

Vejo uma parte de mim nesse texto! <3

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