26.12.10

A donzela e o menestrel

Abro os olhos e meu primeiro pensamento é seu. Parece que até acordar eu vivia num mundo de brumas onde meu destino era correr em círculos, atrás de algo que nunca ia me satisfazer. Abri os olhos, e corri para o celular, para o computador, para qualquer meio de comunicação que me pudesse trazer notícias suas. Em vão, claro, porque você não tem meu número e eu sei que você não vai chegar perto de um computador tão cedo.

Você tem outras prioridades, e eu, teoricamente, também. Mas me deixa curtir essa idéia só mais um pouquinho. Me deixa lembrar como é estar apaixonada e ser correspondida. Me deixa achar que essa história toda vai dar certo em algum momento, que a distância não é um empecilho e que eu não devia me preocupar com o fato de você ter outra pessoa com quem se preocupar. Me deixa gostar de você contra a opinião de todos os nossos amigos em comum. Me deixa, enfim, viver nesse mundo de fantasia e fantasias que criamos e onde vivemos juntos, naquilo que você chama de casamento e eu de pecado, confiando um ao outro nossas frustrações e erros do passado e nossas expectativas e esperanças pro futuro. Me deixa ser sua, porque é assim, nessa brincadeira de faz-de-conta, que eu cada vez mais me perco pra você e me torno cada vez mais incapaz de funcionar se não for sob suas vistas.

Eu abri os olhos e você não estava em lugar nenhum. Quase me desesperei, por meio segundo. Coloquei nossa música e me lembrei que você está onde sempre deveria ter estado: dentro de mim.

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