17.9.13

Tentações

Começa quando você se sente solitário. Ou carente. Impressionante como, sob essas circunstâncias, nunca há uma alma caridosa disposta a nos dar a atenção de que precisamos. Na falta de afeto gratuito e espontâneo, começamos a procurar o que nos falta em outros lugares. Algumas vezes, é preciso pagar.

E aí saímos à procura daquilo que nos satisfaça. Há opções para todos os gostos e estilos – se procurar direitinho, na internet, dá pra achar algo que ajude a cobrir a ausência, mas não é a mesma coisa. Criaturas tácteis que somos, sentimos falta do contato físico. E é aí que, por vezes, essa autossatisfação começa a sair caro.

É claro que sempre há a possibilidade de se saciar com pouco dinheiro. Mas, via de regra, quanto menor o valor, maior foi o manuseio prévio. E às vezes o cheiro não é dos mais agradáveis. Há também as versões de luxo. Estas são, geralmente, insanamente lindas, e valem cada centavo investido em troca de algumas horas de prazer. Mas deixam um rombo e tanto no orçamento...

Procurando-se com calma, é possível achar opções que tenham uma boa relação custo-benefício. Afinal, não é sempre que estamos exigentes – há dias em que nos satisfazemos com pouco, ou que precisamos de menos tempo de entretenimento de qualidade.

O problema é que vicia. E como vicia. Se deixarmos que o vício tome conta, são centenas e milhares de reais gastos em algo que, aos olhos de muitos, é supérfluo e irresponsável. Quantas vezes já não ouvi que deveria investir em roupas e tratamentos de beleza, ou sair mais vezes, conhecer pessoas, passar mais tempo com os amigos? Mas não adianta. É uma relação quase doentia, e a cada mês que se passa preciso de mais e mais. Certas vezes, escolho a dedo o que mais me satisfará; de outras, aceito recomendações de amigos que já experimentaram; há ainda as ocasiões em que nem estou procurando nada, mas sou seduzida e induzida a voltar para casa abraçadinha, mal podendo esperar o momento de penetrar seus segredos e me deleitar...

E depois de tudo consumado e consumido, cabe a mim colocar o bendito livro em seu lugar na estante e cuidar para que nunca falte espaço. Nunca se sabe quando se vai sentir-se carente de novo.

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