20.11.11

Banzo do Milênio

Tentei de tudo, absolutamente tudo, mas foi em vão. O álcool não me libertou de minhas amarras; antes, fincou meus pés no chão e tornou minhas costas e pálpebras pesadas. Nublou minha mente, aniquilou meu espírito e me transformou numa poça destroçada de arrependimentos. As drogas também não me libertaram - me fizeram olhar para dentro de mim e me mostraram tudo aquilo que tenho de podre. As drogas me ensinaram o significado da palavra "vergonha" e me jogaram num lugar escuro, úmido e desagradável. Desisti delas. Tentei também o vegetarianismo - a onda da privação de carne me pareceu algo leve e tranquilo o suficiente para talvez fornecer o bálsamo que meu espírito precisava -, mas o que acabou acontecendo foi uma terrível impaciência e falta de piedade com tudo o que não conseguia se colocar no mesmo patamar de pseudo-evolução-espiritual que eu. Fritei umas fatias de bacon, aquela loucura precisava parar. Tentei música, filmes, seriados, café, pornografia, masturbação, consumismo, autoflagelo, sexo com desconhecidos, dança, poesia, literatura barata, violência, vandalismo, qualquer merda que me anestesiasse e me distanciasse de tudo o que está acontecendo comigo. Nada deu certo. Continuo insuportavelmente vazia, me conformei em ser vazia, vou me permitir ficar vazia até que o vazio não signifique mais nada.

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