30.9.11

Dia 00: O Louco

Todo dia eu acordo e os raios de sol entram pelo mesmo ângulo pela janelinha do quarto, diluídos pelos prédios e paredes e janelas. Todo santo dia é dia de acordar escovar os dentes tomar banho comer juntar as coisas na mochila sair correndo, assim mesmo, sem vírgulas nem pausas pra respirar. Todo dia chego atrasada. Todo dia corro contra o tempo, como se apostasse com o dia qual de nós terminaria sua jornada primeiro, e sempre perco. Todo dia estresse, cansaço, desilusão. Todo dia sonho acordada com o dia em que vou acabar com essa merda de rotina que um dia vai acabar me matando ou enlouquecendo, um ou outro, quem sabe os dois. Escrevo na minha cabeça mil e uma histórias pra justificar esse existir sem prazer, essa submissão desgraçada, essa falta de coragem pra mudar o que me incomoda, e nenhuma é boa o bastante pra me convencer de que tem alguma coisa certa na história canônica da minha vida. Eu quero é voar por aí, cansei de ficar que nem água empoçada presa sempre na mesma vidinha medíocre. Eu quero liberdade. A liberdade de sonhar quando e o quanto eu quiser, a liberdade de ir aonde meu coração mandar. Um dia, junto todas as minhas tralhas e destroços numa trouxa e parto sem rumo. Um dia, vou encontrar algum canto onde o sol me acorde sem intermediários. Um dia, vou acordar e fazer as coisas no meu ritmo, sem culpa nem desespero, e uma vez que seja vou me permitir enlouquecer só pra saber como é fazer isso de propósito. Um dia eu vou ser feliz do jeito que quero e acho que mereço, seja no fundo do poço ou no alto de um penhasco. Até lá, vou cultivando minhas rosas brancas e tentando fazer as pazes comigo mesma.

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