3.8.11

Carta para Gigi, volume 2

Já desisti de esperar essa ferida fechar.

Oito anos. Uma vida. Meu filho não-nascido já saberia ler e escrever. Seu bar já seria o lugar mais badalado de Araxá. E nós ainda seríamos melhores amigas.

Esse é o oitavo ano em que não comprei rosas, não preparei um café, não fiquei em casa o dia inteiro pajeando. Oito anos sem seu sorriso torto e seu cabelo bagunçado. Oito anos sem dar pitaco na sua roupa, reclamar da minha calça de couro no seu armário, roubar seus cigarros. Oito anos sem te acordar dando feliz aniversário. Oito anos sem você.

Será que você se orgulharia das minhas escolhas? Será que escolhi o caminho certo? Tão difícil de dizer... Sem você por perto, não para me guiar, mas  para aconselhar, não dá. Estou sozinha. Estou irremediavelmente sozinha, e devo admitir que às noites me pego fingindo que é você me fazendo cafuné.

E já me faltam palavras pra dizer o quanto sinto sua falta, ou o quanto eu queria que você estivesse aqui comigo pra ajudar a fechar esse buraco no meu peito. Na ausência de tantas palavras, vou resumir tudo em duas:

Amor. Saudades.

E que a gente possa se reencontrar.

Um comentário:

Aline Barbosa disse...

Nossa...
Chorando aqui com esse texto, socorro. Ainda bem que tô escondida aqui pra ninguém me ver.

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