16.6.11

Only happy when it rains

A chuva cai e eu me sinto afogar no vazio. Tenho espaço, mas não tenho mais forças nos braços; por mais que me esforce, não vai ser desta vez que vou aprender a nadar. As noites têm sido cada vez mais frias, e ainda mais fria é minha cama. Não existe um “você” a quem dedicar minha solidão, e isso por si só me faz sentir o peso que essa sozinhez me aflige sobre os ombros. Nunca achei que o nada pudesse pesar tanto.

É uma noite sem sentido atrás da outra. O álcool nubla minha mente, e bocas e mais bocas passam diante de meus lábios sem que nada tenha significado. Nem sei mais em quantos braços dormi desde que este período de morte emocional começou. Uma vez, me olhei no espelho e me perguntei sinceramente onde estaria minha alma gêmea; o reflexo me sorriu e disse que era o mais gêmeo que eu jamais encontraria. Distorcida, quebrada, manchada, destruída – me convenci de que, de tanto me partir em mil pedaços, jamais estarei inteira novamente. Tudo se resume a mais uma fuga, mais uma noite em claro, mais sexo indiferente, mais bebida, mais drogas, mais alguns neurônios perdidos nessa busca insana por mim mesma que acabará por me levar ao caixão.

A cidade é morta. Às noites, fervilha em sua não-vida na boemia, zumbis em busca de sabe-se-lá o que. Pobres almas perdidas – como eu, como você, como toda essa nossa geração – refocilam em sua incipiência quanto aos caprichos de um destino que muito se assemelha a uma criança pequena – ora enamora-se por uma idéia, ora segue por outra direção, e nós, boiando sem rumo numa maré inconstante, nos perdendo cada vez mais, rumo ao redemoinho, rumo à queda livre, rumo ao precipício. Vou me afogar, e continuo sem saber nadar, e não faço idéia de onde se encontra o leme que me colocaria de novo – ou pela primeira vez – no controle de minha vida. Náufragos, todos nós. Náufragos, e nossa ilha-salvadora é Atlântida.

A noite continua fria, mas, sinceramente, não me importo mais. Já me conformei com essa total falta de nexo ou propósito na minha vã existência. Arranco as roupas, arranco as máscaras, arranco os lençóis e as dores e as comiserações e os pesares e me preparo para afundar num sono sem sonhos nem esperanças. Amanhã é mais um dia, e a ele seguirá outro, e outro, e outro, até o último. Só espero ter forças para abrir os olhos na manhã que virá.

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