5.4.11

Mergulho

Abri os braços e os olhos e me joguei de cabeça erguida no abismo que se abriu à minha frente. A água gelada no fundo queria me tragar, enchia meus pulmões e narinas e me lembrava que nunca aprendi a nadar. Me afoguei. Me afoguei em mim mesma e lembrava, a cada instante, que aquelas lágrimas já foram choradas. Chorei compulsivamente, feito uma criança abandonada e com medo do escuro. Lágrimas de luto, não pela morte do amor que talvez nunca tenha existido, mas pela morte dos meus objetivos. Espadanei até meus braços doerem, e enfim retornei à superfície. A jornada de volta do fundo do abismo é longa e cansativa, mas sei que vou conseguir. Qualquer coisa para não deixar ninguém se acreditar dono dessa dor. Qualquer coisa para não me deixar acreditar que eu não superei.

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