22.2.11

A. C.

Eu olho nos seus olhos e, mesmo quando seus lábios me sorriem, posso divisar sua tristeza. Eu olho nos seus olhos e tento pensar em algo de feliz, de leviano, para te fazer sorrir de coração. Não consigo, não dá. É como disse o poeta: tua tristeza é tão exata, e hoje o dia é tão bonito... Essa tristeza que se esconde nas sombras dos teus olhos me encanta, me atrai, me contagia. Quero mergulhar nessa tristeza para entender a nascente, para cortar o mal pela raiz. Te vejo tão só... Quero te fazer companhia, te arrancar da beira do abismo, te ajudar a colocar seus pés de volta à estrada.

Não posso seguir esse caminho por você. Não posso sequer me comprometer a ficar ao seu lado por todo ele. Mas me bate um desejo furioso, incontrolável, indescritível, de estar por perto e te servir de apoio até que você seja capaz de seguir seu rumo sozinho.

Você não precisa ter pressa de nada. Isso não é um sonho - eu não vou desaparecer ao primeiro toque do despertador. Isso não é um favor - você não me deve nada. Isso não é uma missão - nem sequer a salvação da minha alma eu exijo em troca.

Tudo o que quero é iluminar um pouco essa noite sem fim, só o bastante para afugentar seus pesadelos. Não há o que temer, afinal - só me dê sua mão e eu prometo não soltar até que você me peça.

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