2.12.10

Linha ocupada

Aquele telefonema interminável. Aquela risada sem graça. As mãos que se tocam e acariciam e se separam e deixam a promessa no ar. O telefone toca e eu não atendo, porque sei que não devo. Me chama e eu não quero, porque sei que não devo, mas o diabinho da consciência me faz querer atiçar e eu atiço. Telefone. Sei que não devo, mas cedo, porque, diabos, só se vive uma vez.

Mãos que não se soltam. A música me agrada, a conversa flui. Me controlo para não ficar aproximadamente da cor dos cabelos que convenientemente cobrem meu rosto. Sua mão na minha - alerta vermelho. Minha mão na sua - realização de fantasias. Sua mão enfim alcança meu rosto, sua boca alcança a minha, e eu me vejo obrigada a estabelecer limites que não existiam antes pra tentar preservar um mínimo de controle nessa história que já não tem mais rédea que chegue.

Minha mão no seu rosto. Minhas unhas na sua pele, seus dentes no meu pescoço. Foda-se o controle, estou pronta.

Um telefonema. Bato a porta e saio na noite quente em busca de algo que me ajude a firmar as pernas, soprando ao longe um beijo.

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