22.12.10

Bast

Abriu os olhos e percebeu que o sol já havia escondido sua face há mais tempo do que esperava. Hora de acordar, enfim. Espreguiçou-se lentamente, esticando cada uma de suas extremidades com muita cautela. Lavou-se com esmero, como todos os dias, e foi atrás de sua primeira refeição.

Adorava o prazer da caça. Divertia-se com a tocaia, sentia seu sangue queimando como lava enquanto a adrenalina corria por seu organismo. A vítima, incauta, mal percebeu o vulto cinzento à espreita até que já era tarde demais. Era tão fácil, tão natural, que não pôde resistir à tentação de ser cruel. Brincou com a pobre criatura, fazendo-a ser arremessada de um lado a outro até, enfim, dar-lhe o golpe de misericórdia, lacerando sua garganta.

Esticou-se mais uma vez, como que para espantar a preguiça que lhe abatia após uma lauta refeição, e pôs-se a explorar o ambiente em que estava. Não se lembrava muito bem como fora parar por ali, mas também não importava muito: seu lar era qualquer lugar sob as estrelas, seu abrigo qualquer um que o protegesse da chuva. Curioso, vagou pelos arredores até encontrar água que pudesse beber. Bebeu até fartar-se, e seguiu sua jornada pelos caminhos que lhe parecessem mais interessantes.

Finalmente, o céu começou a clarear novamente. Hora de descansar. Encontrou uma árvore, subiu até o galho mais alto que pôde alcançar, fez sua higiene mais uma vez para tirar os fiapos de mato seco da pelagem cinza espessa, enroscou-se em si mesmo e dormiu, ronronando de puro prazer por mais uma noite bem aproveitada.

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