22.11.10

Máscara

É aquele vazio que bate e faz a gente só querer uma boa xícara de chá quente e uma cama confortável pra se enfiar debaixo das cobertas e esquecer do mundo. É aquele frio de doer os ossos, o frio que vem de dentro e faz a temperatura de todo o resto desregular. É se ver sem chão, sem amparo, sem ter para onde correr para fugir dessa dor que parece que vai te consumir por inteiro, pura e simplesmente porque o inimigo está dentro de você. É enfiar as garras nas feridas abertas e sentir sua alma sangrando, é se rasgar por inteira e deixar que o tempo elimine os vestígios de você. É não conseguir chorar de tanto cansaço. É aprender a fingir tão bem que começa a enganar a si mesma. É se apaixonar pela dor que sente e alimentá-la para transformá-la em musa. É sorrir com os lábios e com os olhos, mas dificilmente com o coração. É falar demais para evitar pensar. É não ser para conseguir estar.

Isso tudo, é isso que eu sou. Mas só quando ninguém está olhando.

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