25.8.10

A próxima viagem

Chega de tanto sofrimento surdo
De gritar para as paredes e só receber o eco em resposta
Rasgar as cartas, as fotos, os quadros, os lençóis
Eu quero uma vida de verdade agora
Sem essas ilusões de que me alimentei

Chega do ranço das coisas velhas
Das costelas partidas e unhas gastas
Chega de brigas, de dor, de sangue
Eu quero passar uma borracha no que se passou
No passado imprestável do qual nada aprendi

Chega de linhas tortas e poemas descompassados
De contos e mais contos escritos na calada da noite
Chega de ser marginal, clandestina
Eu quero gritar pro mundo o que eu tô sentindo
Satisfazer esse instinto tão primitivo

Chega de ansiar por um futuro tão próximo e tão distante
De marcar os dias no calendário
Chegar a contar os segundos no relógio
Eu quero que esse dia se aproxime rápido
Chega logo, dia, chega.

Um comentário:

Aline disse...

Bem, sou sua fã, você sabe, né?

Morro de inveja de quem consegue expressar o que sente através de palavras... Coisa para poucos.

=**

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