1.8.09

Nós e a noite

Com os olhos fechados, sinto o roçar de seus dedos delicados em meus cabelos desfeitos. Uma mecha displicente cai sobre meu rosto, e você não hesita em afastá-la, enquanto aproveita a oportunidade de acariciar levemente meu rosto. Seu perfume está mais que ao meu redor; fixou residência dentro de mim, aquecendo meu peito e me confortando no frio da noite.

Me permito me aconchegar junto ao seu corpo, nos embrulhando no edredom macio. Sinto seu calor às minhas costas e estremeço levemente quando seu braço me enlaça a cintura, a mão indo alojar-se sobre meu coração. É uma sensação boa, de proteção, saber que você estará ao meu lado e não me deixará atravessar as longas horas de escuridão sozinha no silêncio do quarto adormecido.

Desejo desesperadamente beijar seus lábios, mas é um luxo ao qual não me posso permitir assim, levianamente. É um temor tão grande de quebrar este feitiço que nos envolve que sei que tudo se acabará se eu me virar para olhar nos seus olhos. Há um buraco negro no meu coração, que suga para o vazio do esquecimento tudo o que dele se aproxima. Não quero correr o risco de me arrancar dos seus braços e arremessar você no olho do furacão.

Neste lugar tão nosso e só nosso, mantenho meus olhos firmemente fechados até que Morfeu dê o ar da graça e me leve a passear em seu reino. Só então me permito admitir que você está a quilômetros de mim. Esta noite, no entanto, pra sempre terá sido nossa, pois sei que você ficou comigo até o raiar do dia.

No meu travesseiro, nos lençóis, em mim: seu cheiro. Abri os olhos de bom humor, e desejei ao sol um bom dia.

Um comentário:

Tássia Pellegrini (Tanna) disse...

foi por conta disso que chorastes de felicidade?

este texto é uma descrição perfeita de como podemos sentir quem gostamos independente de onde esteja.

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